O Meu Pedido de Dados Pessoais à Apple

2018/06/06 - Tecnologia

Fiz um pedido à Apple para me enviar todos os dados associados à minha conta depois de ter lido o post Apple Collected 4 Years of My Browsing History.

O pedido foi feito no dia 1 de julho através do privacy.apple.com e a resposta chegou hoje, dia 6, por email. Não percebo muito bem porquê que um processo que é provavelmente automático demora cinco dias quando a Google faz o mesmo em minutos.

Download Data

Não esperava receber muita informação visto que neste momento apenas uso um Mac sem serviços do iCloud, mas em 2013 usei um iPhone e estava curioso para saber quais dados tinham sobre mim.

A informação sobre a minha conta é pouca, tal como esperava, mas não deixa de ser interessante.

Dentro da pasta Stores Activity temos o Store Transaction History.csv que mostra um histórico de todas as instalações/compras feitas através das várias lojas online da Apple. No dia 2011-10-13 às 11:59 instalei o iMovie no meu portátil, no dia 2012-03-27 às 10:37 comprei a música Hit the Road Jack e no dia 2013-01-15 às 16:21 instalei a primeira app no meu iPhone (1Password) e logo a seguir decidi fazer um teste da velocidade da minha internet com o Speedtest.

No Podcasts Playstate.csv há uma lista dos podcasts que ouvi:

Podcasts

E no Playback Activity.csv há uma lista das músicas que ouvi, provavelmente no iTunes:

Playback

Existem mais ficheiros com informação, incluíndo um com vários logs que vão até 2016, e também ficheiros em branco (ex: da Apple TV) porque não dei permissão/não usei/não tenho o produto.

Ao contrário do autor do post que me levou a pedir esta informação, não há nenhum histórico do Safari ou outra informação super privada, mas também não uso serviços como o iCloud para fazer backups ou sincronizar o histórico do meu browser.

O GDPR pode ser chato para quem guarda a informação (solução: recolham menos dados), mas como utilizador é bom ter acesso à informação que estes serviços têm sobre mim.

FastMail, uma alternativa ao Google Apps

2015/12/13 - Tecnologia

Quando criei a minha primeira conta de email em 2001 (ou 2002?) numa aula de informática nunca pensei que aquela forma de comunicação viesse a ser importante para mim. Na altura não tinha internet nem computador e a conta que criei no Hotmail era usada basicamente para falar com os amigos no Messenger. Hoje, além do meu email pessoal, tenho várias contas de email para cada um dos meus sites.

Depois de passar por serviços como o Hotmail, Portugal Mail, Sapo e Gmail, decidi passar a usar um domínio próprio. Embora um @gmail.com seja mais simples, não temos controle sobre a conta e também pode passar uma ideia errada se usar-mos uma conta destas como contacto oficial de um website.

Inicialmente tinha tudo configurado numa conta de alojamento normal. Funcionava relativamente bem, mas não estava ao nível de um Gmail. Tive problemas com spam e com a configuração de clientes de email… precisava de uma solução mais prática. Como o Google Apps tinha contas gratuitas, decidi transferir tudo para esse serviço. A usabilidade melhorou muito, mas continuava a ser necessário usar um cliente de email para gerir tanta conta… depois a Google decidiu acabar com o plano gratuito e para continuar a usar o serviço teria que pagar cerca de 840 dólares por ano. Tive que procurar outras alternativas.

FastMail

FastMailDurante a minha pesquisa tive a sorte de encontrar o FastMail, um serviço australiano que existe desde 1999. Além dos preços interessantes, oferecem um trial de 60 dias, aceitam PayPal e têm uma política de privacidade/termos e condições muito fáceis de perceber.

Mas o melhor é mesmo a qualidade do serviço. O meu maior “medo” era não encontrar uma solução ao mesmo nível que o Gmail, mas a verdade é que encontrei uma alternativa tão boa ou até mesmo melhor. A interface é bonita e rápida, as opções avançadas que necessito estão lá e também têm apps para Android e iOS. E o melhor de tudo: recebo todos os emails dentro da mesma “caixa” de email e posso gerir tudo através do browser!

A conta mais barata que suporta domínios próprios custa 40 dólares por ano, vem com 15GB de espaço e podemos adicionar até 100 domínios e ter 500 contas (user@dominio.com). Também temos acesso a um calendário, lista de contactos e uma espécie de Google Drive, útil para quando queremos enviar ficheiros pesados por email.

Esta solução funciona bem para quem trabalha sozinho e não precisa de dar acesso ao email a outras pessoas. Quando entro no meu email, tenho acesso aos emails de todos os sites, o que significa que se eu precisasse de dar acesso a outra pessoa a apenas uma conta de email, teria que optar por um plano “Family” ou “Business” onde é possível criar contas individuais em vez de uma conta única onde estão todos os emails. O único problema aqui é que o espaço não é partilhado e o custo seria maior.

Opções e funcionalidades

As opções que existem neste serviço são basicamente as mesmas que existem no Gmail ou Outlook.

O painel está disponível em português, suportam atalhos de teclado, pastas, filtros para apagar ou redireccionar emails, temas com várias cores e vários tipos de organização do conteúdo, assinaturas personalizadas para cada conta de email, possibilidade de alterar o nível de filtragem do spam/vírus, etc.

Um screenshot da caixa de email, com um design muito parecido ao dos serviços mais populares:

FastMail Email

Painel de definições avançadas:

FastMail Opções Avançadas

Usando domínios próprios

Dá algum trabalho para adicionar domínios, mas parte do processo é muito parecido ao que acontece com o Google Apps.

Em “Advanced” temos que ir a “Virtual Domains” e adicionar o nosso domínio. Depois é necessário apontar os MX para os servidores do FastMail e por fim criar um endereço de email para o domínio em “Personalities”.

Podem encontrar informações mais detalhadas nesta página.

Migração para o FastMail

Transferir os emails de um lado para o outro dá sempre muito trabalho, mas o FastMail tem uma opção que permite importar os emails através de IMAP. É só colocar os dados do email antigo e a transferência é automática. No meu caso o processo demorou cerca de 20 minutos.

Existe também uma opção que remove automaticamente os emails duplicados, o que foi útil para mim porque aparentemente o Gmail guardou cópias do mesmo email em vários lugares ao mesmo tempo.

Devo ou não mudar para o FastMail?

Na minha opinião, sim.

Fiz a mudança em 2014 e até agora não me arrependi. O serviço é bastante estável e quando há algum problema são rápidos a resolve-lo (mantêm sempre os utilizadores informados através do twitter e do fastmailstatus.com). Também não notei grandes diferenças na filtragem do spam e em termos de funcionalidades, todas as que usava antes estão presentes.

Se estiveres a procura de um serviço para alojar o teu email, sugiro que testes o FastMail. Todas as contas podem ser testadas gratuitamente durante 60 dias, tempo suficiente para ver se é o que procuras.

Nota final:

O FastMail tem um sistema de afiliados que paga uma pequena comissão por cada compra. É pouco, mas pode ajudar a diminuir o preço a pagar quando tiver que renovar a conta no próximo ano. Esta é uma recomendação honesta de um serviço que utilizo, não o faço pensando no lucro.

Se por alguma razão não quiseres usar o meu link de afiliado, acede diretamente ao site do serviço: www.fastmail.com

Syncthing, uma alternativa ao BTSync / Resilio

2015/08/22 - Tecnologia

Depois das notícias sobre os possíveis problemas de privacidade e segurança e mudanças no rumo do BitTorrent Sync (BTSync / Resilio), tentei encontrar uma alternativa para sincronizar pastas entre computadores. Como serviços como o Dropbox ou Google Drive estavam fora de questão, decidi testar o Syncthing.

Syncthing

O Syncthing é mais seguro que o BTSync, é gratuito, rápido, open source, é capaz de guardar várias versões do mesmo ficheiro e corre nos sistemas operativos mais populares (Windows, OS X, Android).

Como a minha sincronização de ficheiros é feita quase sempre dentro da mesma rede e entre computadores, o conteúdo não precisa ficar alojado online. Se precisas de ter sempre o conteúdo online e sempre disponível, podes instalar o Syncthing numa VPS barata (Linode ou DigitalOcean são boas soluções) e ficas com uma solução bem parecida ao Dropbox.

Folding com o Google Chrome

2015/04/12 - Tecnologia

No inicio de 2014 foi lançado um cliente de folding que permite foldar usando o Google Chrome. É simples, rápido e não precisa da instalação de qualquer software adicional, tornando o folding numa tarefa que pode executada em qualquer computador que tenha o Chrome instalado. Embora seja muito fácil de usar, alguns newbies têm questões sobre ele. Neste post vou falar nos prós e contras e em como usa-lo.

Folding Icon

Antes de começar e para que este post faça sentido, é importante saber o que é o folding. TL;DR: O folding permite ajuda a comunidade científica a perceber melhor como é que doenças como o cancro, alzheimer, diabetes, parkinson, etc, funcionam. O objectivo final é encontrar soluções para estes problemas de saúde que podem afectar qualquer pessoa.

Prós e Contras de Foldar com o Chrome

É possível foldar usando um cliente para Windows (… Mac, Linux, etc) ou usando o Google Chrome. O cliente é bom numas situções, o Chrome é melhor noutras.

Prós:

  • Foldar usando o Google Chrome é muito mais simples;
  • As Work Units (tarefas) são mais pequenas, por isso terminam mais depressa (bom para hardware fraco);
  • Não requer nenhuma configuração avançada;

Contras:

  • O Chrome usa apenas o CPU (processador) enquanto que o cliente permite usar também GPU’s (placa gráfica);
  • Com o Chrome não é possível entrar em betas ou configurar vários aspectos que podem influenciar na performance do folding;

Por outras palavras, se estiveres a usar um portátil, um computador antigo ou um computador com hardware “fraco”, usa o Google Chrome. Se tiveres um computador potente, usa o cliente.